O Supremo Tribunal Federal (STF) parece um poder divino em terra de mortais.

Age com uma superioridade que beira a zombaria.

Cada ministro faz o que bem entende, do alto de suas arrogâncias exacerbadas.

Agem como semideuses — ou seriam demônios!? — prontos para induzir-nos a autodestruição.

A sensação que tenho é que existe um país paralelo, onde o único poder que impera é do Judiciário, encabeçado pelo STF.

Mas não é assim que a banda toca! Ou ao menos não deveria ser assim.

Há três poderes em nossa República e o STF não está acima dos demais, apenas inserido em um deles.

Deveria apenas se deter as suas próprias prerrogativas.

Quando um ministro decide que governadores e prefeitos podem atropelar uma decisão do Executivo, está desafiando a ordem das coisas.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADEFalo sobre a decisão de Marco Aurélio Mello de dar poderes a governadores e prefeitos para restringir a locomoção em estados e municípios do país diante da pandemia do coronavírus.

O ministro diz que eles podem baixar medidas de validade temporária sobre isolamento, quarentena e restrição de locomoção por portos, aeroportos e rodovias.

Em sua decisão, o ministro atendeu a uma ação movida pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) questionando a Medida Provisória (MP) editada pelo presidente Jair Bolsonaro, que buscava impedir o desabastecimento dos cidadãos e um caos ainda maior no país.

Marco Aurélio Mello fez aquele movimento morde e assopra em sua decisão, elogiando e advertindo o Executivo.

“Presentes urgência e necessidade de ter-se disciplina geral de abrangência nacional, há de concluir-se que, a tempo e modo, atuou o Presidente da República – Jair Bolsonaro – ao editar a Medida Provisória.

O que nela se contém – repita-se à exaustão – não afasta a competência concorrente, em termos de saúde, dos Estados e Municípios”, escreveu.

A questão é que o ministro decidiu anular o Poder Executivo.

É uma clara interferência indevida em uma decisão soberana daquele que foi eleito para reger o país, na alegria e na tristeza – usando a metáfora do casamento.

Mas quem precisa de inimigos virais, quando se tem um STF como o nosso?